Ciência 2.0 – um projecto dedicado à aproximação da ciência à sociedade

Logo da autoria de Isabel Madalena

Escrevo para vos falar do Ciência 2.0, um projecto de divulgação e comunicação da Ciência que pretende aproximar as pessoas desta área do conhecimento tão vasta e importante. Trata-se de um projecto multiplataforma que não se fica, portanto, pelo texto. Vídeo, áudio, infografia são as ferramentas usadas para cativar um público jovem, não apenas de idade, mas de espírito.

É um projecto que pretende dar a conhecer a Ciência com rigor e ao mesmo tempo de forma acessível e explicativa. Informalmente, vão sendo explicadas as várias ciências e o que elas têm de melhor e o que se vai fazendo nesta área. Sem uma actualidade imediata, o Ciência 2.0 consegue ter tempo para conferir o maior rigor possível e dar a compreender os vários fenómenos, com a ajuda de uma equipa multidisciplinar que o constitui. 

Faço parte, orgulhosamente, desta equipa, como jornalista, e, desde o meu estágio, que muito tenho aprendido sobre Ciência e espero que as pessoas aprendam também com o resultado deste projecto.

E mais:  o Ciência 2.0 envolve as pessoas. Apela à participação com um menu que lhes é  inteiramente dedicado: “Feito por ti”.

Mas para saberem mais, o melhor é consultar o site do Ciência 2.0:

http://www.ciencia20.up.pt

O Ciência 2.0 está também nas redes sociais, como é o caso do Facebook:

http://www.facebook.com/ciencia20

Espero que gostem e que o divulguem!

Muito  obrigada a todos!

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Jovem investigador português desenvolve nova estratégia para “matar” tumor à fome

Foto: Gonçalo Bernardes/DR

É quase como um correio de droga. Trata-se de anticorpos munidos de uma substância com uma missão: chegar aos vasos sanguíneos do tumor e destruir as células cancerígenas.

Experiências realizadas mostraram que este método tem resultados terapêuticos no combate ao cancro. É o que revela o estudo de Gonçalo Bernardes, 31 anos, doutorado em Química Biológica pela Universidade de Oxford, e da sua equipa, publicado recentemente na revista científica “Angewandte Chemie“.

Quando chega ao destino – os vasos sanguíneos que circundam o tumor -, a droga é libertada através de um estímulo químico, exercendo uma função terapêutica. Chegando a este local, esta bloqueia a entrada de nutrientes que alimentam o tumor. A novidade aqui não está na ideia de matar o tumor à fome, que já é uma abordagem sobejamente explorada pela comunidade científica, mas sim na estratégia desenvolvida por Gonçalo Bernardes e a sua equipa.

 Drogas conjugadas com anticorpos

“Os anticorpos que criámos são específicos para um receptor que está presente nos novos vasos sanguíneos e isso traz uma grande vantagem. É que estas drogas conjugadas com anticorpos podem ser virtualmente usadas para o tratamento de qualquer tipo de tumor sólido. A formação de vasos sanguíneos é uma característica comum a todos os tumores” explicou ao P3 Gonçalo Bernardes.

 O facto de ser específico para os vasos sanguíneos apresenta ainda uma outra vantagem. “Os mecanismos de resistência do tumor vão ser muito menores do que no caso dos anticorpos específicos para receptores que estão na superfície das células cancerígenas, pois estas podem estar em constante mutação”, salienta o investigador que, há cerca de dois anos, trabalha em Zurique.

 Uma terapia menos dolorosa

“Existe uma esperança em se conseguir um tratamento alternativo mais específico, mais eficiente e menos doloroso para quem tem cancro”, concretiza. Contudo, não é possível prever quando (e se) a droga poderá ser aprovada para estudos clínicos.

 Seria, portanto, uma alternativa à quimioterapia. Nesta, o que acontece é que a droga usada não distingue as células saudáveis das células cancerígenas, limitando a quantidade que é possível utilizar e prejudicando a eficácia do tratamento.

A investigação, feita com base em testes com ratinhos, trouxe como resultados um efeito terapêutico, em que são suprimidas as células cancerígenas. Contudo, são necessárias mais investigações, dado que o cancro não é eliminado.

Próximos passos? “Queremos modificar a droga tornando-a mais potente, para que tenha uma capacidade mais forte para matar as células tumorais e testá-la em ratinhos e ver qual é a reacção em diferentes tipos de tumor. Com esta conjugação de droga e tipo de anticorpos, pensamos que talvez possamos chegar a efeitos terapêuticos superiores aos que conseguimos ter com o modelo actual”, responde Gonçalo Bernardes.

Artigo realizado para o P3, através do estágio no Ciência 2.0

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Anfetaminas: “amigas” do estudo, inimigas do cérebro

Foto: TayrawrFortune/Flickr

As anfetaminas são drogas estimulantes que prometem energia e aumento da capacidade de atenção e de memória. Europa é o o maior produtor destes estupefacientes. São procuradas, em Portugal, pelos jovens estudantes como auxiliar de estudo. Cumprem a sua missão, mas por pouco tempo, provocando graves danos no sistema nervoso central.

“O cérebro pode recuperar, mas nunca volta a ser o que era antes do consumo”, avisa Teresa Summavielle, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto, que explicou ao P3 quais são os efeitos provocados por estas substâncias (ouve ficheiros áudio à esquerda).

 Os efeitos de concentração e atenção duram apenas cerca de uma hora, salienta a investigadora. Depois segue-se o inverso: “Passamos a ter as pessoas com um nível de ansiedade muito maior, muito mais irritáveis, começamos a ter uma capacidade de atenção mais perturbada”, sublinha.

Neurórios forçados a produzir “non-stop”

Atingindo o cérebro, as anfetaminas provocam a degradação das células, que vão perdendo energia e envelhecendo. A acção destas drogas envolve um neurotransmissor, a dopamina, associada ao prazer e à motivação, que é libertado, nestas situações, em grandes quantidades.

Estes comunicadores entre os neurónios no cérebro, após cumprirem a sua função, têm de voltar ao neurónio original. O que, sob acção das anfetaminas, não acontece. É bloqueado o sistema que as transporta e estas ficam presas entre os neurónios, desgastando a célula que tem de produzir mais dopamina.

“As células não estão programadas para estar sempre a produzir, mas sim para reaproveitar. Se as obrigarmos a estar constantemente a produzir neurotransmissores, as suas reservas esgotam-se”, explica a cientista, que fez uma investigação sobre o ecstasy, também ele uma anfetamina, mas que liberta, por sua vez, grandes quantidades de serotonina, substância associada ao bem-estar.

Drogas com mais influência no cérebro jovem

Mas não é só no cérebro que as anfetaminas actuam. Antes de chegarem ao sistema nervoso central, estas substâncias são transformadas, pelo fígado, em outros compostos químicos bastante tóxicos. As anfetaminas perturbam todo o organismo, podendo dar origem, por exemplo, a problemas cardíacos graves.

Num cérebro adolescente, ainda em formação, estas drogas podem ter maior influência, segundo explica Félix Carvalho, do serviço de Toxicologia da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto.

 Se consumidas regularmente, há ainda a “memória das drogas”, ou seja, estas substâncias modificam as estruturas cerebrais e os neurónios para promover o seu consumo, mesmo passados vários anos.

ARTIGO REALIZADO PARA O P3 – NO ÂMBITO DO ESTÁGIO NO PROJECTO DE DIVULGAÇÃO DA CIÊNCIA – CIÊNCIA 2.0 NO QUAL ESTOU ACTUALMENTE A ESTAGIAR

Outro artigo relacionado realizado para o P3 

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O cancro do ovário não tem de ser uma “doença horrível”

Presente: está quase a terminar o curso de Medicina, tem 23 anos e uma vida pela frente. Passado: aos 17, foi-lhe diagnosticado um cancro do ovário. Sara Sarmento soube muito nova o que era ter um tumor. Mas é com um sorriso que nos conta a sua história. Até porque, para Sara, os jovens têm todas as condições para enfrentar esta realidade, uma vez que reagem melhor aos tratamentos.

 “Descobri quando fui à minha primeira consulta de ginecologia. A médica detectou uma massa no ovário esquerdo e disse-me que tinha rapidamente de fazer alguns exames. Fiquei assustada e nunca pensei que fosse nada tão sério”, explica a estudante que está ser acompanhada pela médica Deolinda Pereira, uma das pessoas envolvidas no estudo sobre o cancro do ovário que ganhou recentemente o prémio Sanofi Oncologia 2011.

Alguns dias após a consulta, Sara soube que teria de ser submetida a uma cirurgia, inicialmente para extrair o ovário e saber o tamanho da lesão. O médico que a operou colocou todas as “cartas em cima da mesa” e explicou os cenários possíveis. O pior que poderia acontecer seria a remoção de todos os órgãos reprodutores, caso o tumor fosse maligno e houvesse outras lesões. E foi o que aconteceu.

“Ouvir uma anedota” na altura do tratamento

“Aquela era a situação melhor para a minha saúde e era uma decisão a tomar na altura”, conta, quanto à sua reacção assim que percebeu o que lhe poderia acontecer.

Depois da cirurgia, seguiram-se seis ciclos de quimioterapia no IPO do Porto. A ajuda dos pais e dos amigos foi muito importante para Sara nessa fase. No entanto, o difícil foi “lidar com a angústia da família. Nós só queremos ouvir uma anedota e custa lidar com a pessoa que acha que temos que estar muito mal porque é uma doença horrível”, desabafa. “Temos de encarar isso de outra forma”, acrescenta.

“E cá estou”, termina. Trata-se de um exemplo positivo de quem teve cancro do ovário e o conseguiu ultrapassar.

“Um susto misturado com surpresa”

Tal como Sara, também Lígia Pereira, de 32 anos, teve de remover todos os órgãos reprodutores devido a esta doença.

“Tinha muitas dores de barriga e fui às urgências. Os médicos mandaram-me para casa. Continuava com dores e fui à minha ginecologia e foi aí que soube”, conta. No período de uma semana foi operada e retiraram-lhe um tumor de nove centímetros, que se acreditava ser benigno. “Não é normal na minha idade ter tumores malignos”, explica, dizendo que os médicos que consultou achavam que não era necessário fazer a cirurgia tão rápido.

“Na altura, é um susto misturado com surpresa. É normal doer a barriga”, afirmou.

Tanto Lígia como Sara, nunca tiveram filhos, mas pretendem adoptar.

Artigo realizado para o P3 – no âmbito do estágio no Projecto de divulgação da Ciência – Ciência 2.0 no qual estou actualmente a estagiar

Outro artigo relacionado com o cancro do ovário

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Pelo direito a amar sem preconceitos

Foto: Rita P.Braga

E, se no estado do Facebook, o Pedro estivesse numa relação com o Eduardo ou a Maria estivesse numa relação com a Ana?

Em Portugal, estas são realidades que pouco se vêem, mas que existem. Porque o amor não escolhe idades, mas também não escolhe géneros. A orientação sexual nasce connosco e não é uma opção.

De acordo com várias associações, apesar de haver mais informação, o preconceito reina e crescem as denúncias anónimas e os desabafos. “A nível de denúncias, a minha percepção é que têm aparecido mais. Os jovens utilizam muito a nossa página do Facebook para pedir ajuda”, revela Paula Antunes, fundadora do Caleidoscópio. A activista revela que a homofobia aumentou porque a homossexualidade é mais visível. “As pessoas assumem-se mais e temos uma reacção directa”, explica.

Um jovem, menor de idade, que foi expulso de casa pelos pais que lhe retiraram todo o dinheiro; uma jovem que a mãe levou ao psiquiatra; uma estudante da Universidade do Porto que reprovou 2 vezes à mesma disciplina porque a docente não aceitava a sua homossexualidade; um pai que achou que o filho não tinha o direito de ser homossexual porque ele “se controlou” para não o assumir.

Estas são histórias que chegam aos ouvidos de quem se presta a ajudar e que até já saltam para as páginas dos jornais. Não há números concretos, apenas casos que, pela sua multiplicidade e natureza, denunciam que há muito a fazer no combate à discriminação.

Voltando ao Pedro e à Maria, falamos de pessoas como nós. E ele não é, ao contrário de ideias pré-concebidas, efeminado, ao passo que ela também não é masculina.

Marta (nome fictício) não quer ser conhecida como a “amiga lésbica”. Para a jovem de 24 anos, a homossexualidade é só uma parte da sua vida. “Sou eu própria, sou normal. Alguma vez olhava para mim e dizia que era bissexual?”, perguntaRafaela (nome fictício), estudante de 27 anos.

“Tenho muito receio de contar aos meus pais”

A primeira pessoa da família de Marta a saber foi a irmã mais nova. A reacção não foi positiva, como Marta esperava. A irmã decidiu contar à mãe e Marta passou a ser um “fantasma” em casa. “Ninguém falava comigo”, relata a estudante do Porto. “A minha mãe deixou de me dar dinheiro. Não tinha nem para a renda, nem para as propinas, nem para nada”, continua.

Esta é uma reacção que se repete, segundo várias associações, em muitos casos, e um pouco por todo o país. Por isso, muitos jovens, como Ana (nome fictício), decidem não contar. O medo da reacção e a situação de dependência dos pais ou dos encarregados de educação em que se encontram são os principais motivos. “Tenho muito receio. Dou-me muito bem com os meus pais, mas não sei até que ponto eles estavam preparados para ouvir isso. Quero primeiro ter independência financeira”, desabafa a jovem portuense de 21 anos.

Ana Raquel (nome fictício) vive uma situação semelhante. A estudante de Viana do Castelo, que não assumiu a homossexualidade em casa, conta com uma reacção negativa por parte da família no futuro. “Por vezes, cá em casa surgem comentários do género ‘Eles deviam era estar todos presos, essas aberrações da natureza’”, conta, justificando o receio.

“Enquanto que, anteriormente, o problema era chegar a casa e dizer ao pai que se estava grávida, agora o problema é dizer-se que se tem uma namorada e não um namorado”, explica Maria, bissexual, de 28 anos, que entende que os jovens devem exigir “respeito” e “aceitação” por parte da família. “O amor é natural, não se escolhe, acontece”, remata.

Reprovou 2 vezes a uma disciplina por ser homossexual

À dificuldade de os pais aceitarem ou mesmo à não aceitação por parte da família, acrescem os relatos de casos de bullying e de discriminação nas escolas, por parte de alunos e professores.

Foi o que aconteceu a Marta (nome fictício), estudante da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, que reprovou 2 vezes à mesma disciplina porque, alegadamente, uma docente não aceitava a sua homossexualidade. “Tive um problema, no fim da licenciatura com uma professora, que me disse abertamente e com todas as letras ‘enquanto se andar a passear com a sua namorada nos corredores da faculdade escusa de vir ao meu exame’ e eu fiquei a olhar para ela”, contou.

Embora a família e amigos mais próximos saibam, Marta pediu à reportagem do P24 anonimato por razões profissionais. Existem muitas empresas que julgam os trabalhadores “pela vida pessoal”, explicou. “Se algum dia pensares em vir trabalhar para esta empresa, que não te passe pela cabeça que eles saibam que tu és lésbica, se não despedem-te na hora”. Foi este o aviso que recebeu de uma colega de curso.

A escola começa a ser palco de situações de discriminação nos ensinos básico e secundário. “Fufa” e “ele/ela” foram expressões que Isabel Martinez ouviu repetidas vezes no estabelecimento de ensino que frequentava na zona da Foz, Porto. “Depois do meu coming out, as pessoas passaram a comentar muito. Senti-me discriminada em várias alturas, mesmo até por alguns professores”, explicou. “Na escola onde eu andava eram muito conservadores e elitistas”, justifica Isabel o injustificável.

Para combater a discriminação e desfazer os preconceitos que existem na sociedade e, sobretudo, no meio escolar, a rede ex aequo – associação de jovens lésbicas, gays, bissexuais, transgéneros e simpatizantes criou os Projectos Educação, em 2005 e Inclusão, em 2009, com o objectivo de sensibilizar e informar.

Excerto de reportagem realizada para o Porto24:

Leia aqui as restantes partes da reportagem:

Pais questionam-se: “Onde é que eu falhei na educação?”

Bullying homofóbico por parte de uma “geração mal informada”

Fotos da autoria de Rita P. Braga.

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Uma loja onde se “respira” a cidade

Foto: Renata Silva

Depois de um dia de trabalho, quando só à noite há tempo para as compras, sobretudo as de um aniversário, pensamos nos centros comerciais. Mas, na baixa do Porto, é possível encontrar uma loja aberta até à meia-noite.

Chama-se Porto com Arte e pretende fazer portugueses e estrangeiros “respirar o Porto e os produtos nacionais”, explica à Praça André Daciano, responsável pelo espaço.

Aberto ao público desde Agosto deste ano, o espaço Porto com Arte, que está num edifício com mais 100 anos e que foi restaurado, divide-se em 3 espaços que atraem públicos diferentes. À entrada, vários produtos portugueses, que vão desde sabonetes da Ach Brito a malas feitas em cortiça, passando por garrafas de Vinho do Porto e compotas.

Ao subir um andar, é possível provar Vinho do Porto. Os terceiro e quarto andares dedicam-se à arte. Existe uma galeria onde os artistas podem expor, mensalmente, os seus trabalhos, “desde que tenham qualidade”, salvaguarda o designer de comunicação, de 31 anos.

No quarto piso, está instalado um gabinete de design. “A arte atrai os mais novos, o vinho atrai os mais velhos e a loja de produtos portugueses atrai senhoras com quase 60 anos que vêm à procura do sabonete da Ach Brito ou da Castelbel”, conta André Daciano. “E vêm também ver a galeria”, acrescenta o responsável.

O Porto com Arte abre das 10h às 24h. O horário alargado “deve-se à aposta na diferença e é bom que qualquer pessoa que consiga comprar algo fora de horas. Tentar puxar para a Baixa do Porto os portugueses e também os turistas, para também poderem comprar, até uma prenda de última hora”, explica André.

“Em vez de ir a um shopping, podem ir a uma loja na Baixa”, remata. As visitas dividem-se entre portugueses e estrangeiros.

“O Porto com Arte não é só um local de venda, significa também conhecer um pouco mais do que é a cidade do Porto”, realça André Daciano.

Peça realizada para o Porto24

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A solidariedade que ganhou pernas e ajudou mais de uma centena de pessoas

Foto: Renata Silva / Susana Vasconcelos (à esquerda) e Célia Macedo

Ajuda alimentar para o Filipe, um bebé recém-nascido cuja mãe pediu ajuda, recolha de tampas de embalagens para conseguir uma mão para o Tomás e o apoio a Bóris, um veterinário ucraniano que viveu vários anos nas ruas portuenses e que se encontra em estado terminal. São alguns dos muitos pedidos que chegam ao projecto ChikiGentil – Coração com Pernas, criado no Porto.

A iniciativa partiu de Susana Vasconcelos, de 40 anos, que, quando se viu desempregada, em Outubro de 2010, não perdeu tempo e começou, com o seu próprio vestuário, a ajudar quem mais precisa.

Para ajudar a ChikiGentil, basta um contacto através do Facebook. No Grande Porto, é possível deixar donativos, em género, em estabelecimentos que apoiam o projecto, como a loja Cantinho de Luz, em Gaia, e o café Iceberg, em Fânzeres, Gondomar.

“As pessoas pobres podem andar chiques usando a roupa dos outros, gentil é toda a pessoa que dá e daí ficou o ChikiGentil”, explica Susana, que se juntou a uma amiga de Lisboa para iniciar o projecto. Porque a vontade de ajudar foi muita, acrescentou-se ao nome “coração com pernas”.

Depois, o projecto lançou uma página no Facebook, actualmente com cerca de 3.400 utilizadores a segui-la diariamente, e não faltaram os pedidos de ajuda para preencher o mural.

A ChikiGentil ajudou, até ao momento, 167 causas individuais. Os pedidos e ofertas de ajuda são feitos em grande parte através do Facebook. O projecto apoia pessoas desfavorecidas, animais abandonados e várias associações, num trabalho que é a tempo inteiro.

Portugueses são “muito solidários”

Porque “ajudar é contagiante”, nas palavras de Célia Macedo, de 49 anos, o projecto conta já com 20 pessoas de todo o país, da Inglaterra e da Suíça.

Célia faz parte das 9 pessoas do Porto envolvidas no projecto, na qual se inclui também uma psicóloga que se desloca a casa de quem pede ajuda e avalia a situação em que se encontram.

Os portugueses são muito solidários? As 2 vizinhas, de Vila Nova de Gaia, não hesitam: “sim”. A solidariedade “contagiou”, há poucos meses, os emigrantes que se preocupam em fazer chegar ajuda a Portugal.

“O dinheiro para a gasolina nas deslocações a casa das pessoas para recolha de donativos sai dos nossos bolsos”, conta Susana Vasconcelos, cujo telemóvel, durante a entrevista, não pára de tocar. “É preciso ter muita força de vontade para ajudar. É preciso ir ao terreno e isso requer tempo”.

“Há muita inveja na solidariedade”

Não só apoios e palavras solidárias chegam ao projecto. Há também quem critique os membros por estarem sempre a repetir os mesmos apelos e colocar vários por dia na página. “Esses são os não solidários”, defende Célia Macedo. Muitas das críticas são também provenientes de associações e de outros grupos de solidariedade social.

“Há pessoas de outros grupos que diziam que nós só queríamos aparecer. Nós não queremos aparecer. Infelizmente, mesmo na solidariedade há muita inveja. Criticam talvez porque não conseguem ajudar tanto como nós”, conta Susana Vasconcelos.

Peça realizada para o Porto24

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